Imprimir

Grupo Escolar Professor Lellis

Escrito por Professora Zélia Cassa de Oliveira ligado . Publicado em A Cidade & História

A  construção de um sonho

Velha aspiração do povo  alegrense, para consumá-lo  a Câmara de Vereadores  em 28 de Setembro de 1923,  por indicação do vereador Virgilio de Aguiar autorizou  sua localização na Praça 06 de janeiro, depois que se corrigisse sua forma  irregular, nivelando-a e construindo um jardim.   

 Fragmento do documento que autoriza mudanças na Configuração da Praça Seis

 de  Janeiro para construção de um Grupo Escolar  - Fonte Câmara de Vereadores -

  

O projeto dormitou nas gavetas da burocracia até 04 de agosto de 1925, quando Dulcino Pinheiro encaminhou à Câmara de Vereadores um novo projeto solicitando a  desapropriação  para utilidade pública de uma área  localizada na Avenida Rodrigues Alves (hoje Dr. Olívio Correa Pedrosa) entre as ruas Major Quintino, Francisco Teixeira e margem direita do riacho Conceição. Abaixo fragmento do documento . Fonte : Câmara de Vereadores.


Transformado em  decreto sob  n.° 25 e  assinado no dia 16 do mesmo mês e ano, o   projeto determinava que a área em questão fosse ocupada por um estabelecimento de grande porte – Um Grupo Escolar.

A assinatura do decreto gerou uma longa pendência judicial entre a Municipalidade e um dos  proprietários  do imóvel desapropriado.  Este pretenso movimento popular contra o empreendimento, chegando ao conhecimento do Presidente do Estado, Florentino Avidos, motivou a suspensão da obra já iniciada, atitude que mereceu do então Prefeito Vicente Caetano o seguinte desabafo:  

“se em uma cidade, um verdadeiro movimento popular se fizesse contra a construção de um estabelecimento de ensino, bastaria este fato, para mostrar que esse movimento, só podia ser mal  inspirado, para não dizer,  nascido da síncope mental de um agitador. E, seria de se lastimar que, a grande maioria da população tranqüila, ficasse a mercê das pequenas minorias turbulentas”. Vicente Caetano – Prefeito

Substituindo Avidos na Presidência do Estado,  o Doutor Aristeu Borges de Aguiar,  no ano de 1928 mandou reiniciar a obra,   com inauguração marcada para o final de 1930. 

Atropelado pela   eclosão da  Revolução Liberal liderada por Getulio Vargas em outubro desse ano de 1930, o  Dr. Aristeu  Aristeu, deposto junto com  Washington Luiz – Presidente da República – refugiou-se no cargueiro Atlanta que se encontrava no Porto de Vitória,  seguindo   com destino a Lisboa  (Novais, Maria Stella – s.i)   

Enquanto isso, no município do Alegre,  o Comandante  Barata, chefe da força revolucionaria, tomou  a cidade de assalto e  após ocupar seus pontos estratégicos, aquartelou os soldados no  recém construído Grupo Escolar. (Ferraz, Manoel Pedro – a Terra e o povo)   No  inicio de 1931, com a paz restabelecida,  o  interventor Genaro Pinheiro, mandou iniciar as aulas.

Objetivando  homenagear um dos mais eméritos professores do Estado - o Professor José  Francisco de Lellis Horta  -  o  majestoso edifício recebeu a denominação de Grupo Escolar “Professor Lellis.”


Pequena Biografia

Nascido em 21 de Setembro de 1830, filho do casal Camilo e Ana Lellis, o jovem Francisco desejando seguir a carreira sacerdotal,  ingressou no Seminário do Rio Comprido sediado na cidade do Rio de Janeiro. Desistindo da batina voltou a Vitória – ES, onde por durante 53 anos  dedicou-se ao magistério. Destacaram-se entre seus alunos o Doutor Afonso Cláudio, primeiro presidente do Estado do Espírito Santo, os  Doutores  Nilo Peçanha (Vice Presidente da República)  Moniz Freire, também ex Presidente do Estado,   Chapot Prevost, médico sanitarista em Vitória_ES , entre outras celebridades. Faleceu em 1910, em Vitória do Espírito Santo aos 70 anos de idade.

Homenagem

Professor Lellis- Patrono do Grupo Escolar

No dia 30 de setembro de 1946, foi inaugurado, em nosso grupo Escolar, o retrato de seu Patrono – o Professor José Francisco de Léllis Horta – uma das glórias do magistério Espírito Santense. O ato inaugural teve lugar no salão nobre da Escola, tendo falado oficialmente a professora Lea Nagib Tannure, que proferiu belíssima oratória sobre a vida e a obra do mestre. Falaram  em seguida o Professor Ulisses Ramalhete em nome do Secretário da Educação, o Dr. Areobaldo Léllis em nome da família e pela diretora do Estabelecimento a Prof.ª Maria das Dores Pinheiro Cortes. A solenidade foi encerrada pela  pianista conterrânea Marina Ramalhete, que brilhantemente executou  peças de Shubert, Liszt ,Chopin, Debussy, finalizando coma a Dança dos Botocudos  de Mingnone.

Pesquisa e Texto - Prof.ª  Zélia Cassa de Oliveira.  fontes:

Ø  Alegre, a terra e o povo - Manoel Pedro Ferraz,

Ø  História do Espírito Santo – Maria Stella Novaes

Ø  Arquivo da Câmara de Vereadores de Alegre – ano 1925

Ø  Arquivos particulares  Z. Cassa de Oliveira  e Maria de Lourdes Silva Ferraz.