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O RANCHO ALEGRE

Escrito por Por Carlos Magno Rodrigues Bravo ligado . Publicado em A Cidade & História

Manoel José Esteves de Lima, que havia chegado recentemente de Portugal, recebeu uma solicitação do Governador de Minas para entregar uma carta ao seu primo em Itapemirim no litoral sul capixaba. Manoel José Esteves de Lima, então, organizou uma expedição composta de 72 homens, dentre eles João Teixeira da Conceição, partindo de Mariana em Minas Gerais com destino a Itapemirim no litoral sul capixaba.
     Em 1820, por determinação do sargento-mor Manoel José Esteves de Lima, o desbravador João Teixeira da Conceição construiu às margens do riacho Alegre e da estrada de Minas para o porto de Itapemirim, um rancho de apoio às tropas.
     É importante lembrar que o riacho Alegre recebeu esta denominação de João do Monte da Fonseca, alferes da segunda Divisão dos Caçadores de Minas Gerais, militar responsável pela abertura da primeira estrada que de Minas chegava às praias do Espírito Santo.  Esta estrada estava concluída desde 1811.
     Mais tarde, com o desenvolvimento do comércio do interior para o litoral, o rancho de tropas da fazenda da Conceição tornou-se um ponto de reunião dos tropeiros, para que juntos em comitiva, seguissem até o porto.
     O desbravador João Teixeira da Conceição, vendo surgir um novo negócio, melhorou as pastagens para os animais e ampliou o rancho, que serviria com mais conforto, de alojamento para os tropeiros e abrigo para suas mercadorias.
     O encontro dos tropeiros era um ato festivo; muitas estórias eram contadas e, para quebrar a monotonia das marchas, eram organizados, nesse rancho, intermináveis e alegres bailes.  Esses homens solitários tinham, então, oportunidade de extravasar seus sentimentos, tornando célebres os bailes realizados no rancho.
     O sexo feminino, sob os cuidados de dona Severina, mulher de João Teixeira da Conceição, cuja presença era imperiosa para a realização dessas festividades, chegou, atraído pela nascente riqueza da região e pelo circular constante do dinheiro do comércio.
     Para o Bispado de Mariana, Minas Gerais, que possuía o domínio eclesiástico sobre a região e na qual tinha uma pequena capela, mais tarde, também, um curral e rancho de tropas, o local chamava-se "Santo Antonio".  Mas, o povo, verdadeiro senhor do seu destino, denominava-o de "Rancho Alegre", e foi o que prevaleceu.

     Como vemos, nossos pioneiros, mesmo sem o carisma dos grandes vultos da história, fizeram, com o seu viver simples, o desabrochar da "civilização", neste nosso solo alegrense.
     A história do "Rancho Alegre" era contada pelo antigo professor Raymundo Altino de Souza, que aqui nasceu em 1866, no lugar denominado Buraco Quente, que afirmava ter colhido esta história das fontes originais.

Carlos Magno Rodrigues Bravo - Adaptado

 

A LENDA

        Diz a lenda que o rancho construido por Conceição tornou-se conhecido pela presença ali da cachorrinha Alegre, nome este que se estendeu ao povoado que se formava e, ao Município do qual é sede. O Período da história de Alegre entre a chegada de João do Monte da Fonseca (1811) e o ano de 1850, quando aqui chegou o primeiro padre, Francisco Alves de Carvalho, permanece obscuro, apenas iluminado por algumas lendas que ilustram fatos vividos pelos primitivos habitantes e aventureiros.

AS FAMÍLIAS

        Somente na segunda metade do século XIX, a partir de 1857, quando foi criada a primeira sub-delegacia policial, é que se tem notícia da fixação de famílias que se tornaram tradicionais na vida econômica e política local. Entre elas podemos citar: os Ferreiras de Paiva, Gonçalves Monteiro, Azeredo Coutinho, Monteiro da Gama, Soares da Silveira, Paula Campos, Martins de Carvalho, Teixeira Alves, Quintino Leão, e, já no começo do século XX, os Wanderley, Tannure, Simão, Nasser, Macedo, Sobreira, Vargas, Pinheiro, etc., muitas já desaparecidas do cenário alegrense, algumas com descendentes que aqui ainda residem, aos quais vieram juntar-se outros povoadores que trabalham juntos pelo progresso do Município.

Fonte: Manoel Pedro Ferraz

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